Rio São Francisco: debatedores defendem redução da vazão do reservatório de Sobradinho


Debatedores presentes em audiência pública da Comissão Mista de Mudanças Climáticas (CMMC) defenderam, nesta quarta-feira (4), a diminuição da vazão do reservatório de Sobradinho, no Rio São Francisco, que deverá passar dos atuais 900 m³ por segundo para 800 m³ por segundo.

O Diretor de Operação da Companhia Hidroelétrica do São Francisco (Chesf), José Ailton de Lima, afirmou que o que está em discussão para reduzir essa vazão não é a geração de energia elétrica, porque ela já é gerada por outras fontes, mas sim estender o estoque de água do reservatório de Sobradinho ao máximo possível.

O Diretor de Operação da Chesf explicou que, se não chover ou se a vazão não for diminuída, no mês de dezembro, a água do reservatório acabará e será preciso utilizar a água do que chamam “volume morto” da bacia. Segundo ele, o uso dessa água não é uma questão trivial, já que existem dúvidas se ela é boa para o consumo humano.

- Como não temos modelo de previsão de chuva e chegada de água, a única coisa que podemos fazer nesse momento é ser precavido. É tentar fazer com que a água que temos no reservatório se estenda o máximo possível – disse.

José Ailton ressaltou que a diminuição da vazão não deve ser atribuída à Chesf, mas ao interesse dos vários usos da bacia. José destacou a importância da busca conjunta de soluções para o problema. Para ele, outras áreas do governo e do próprio legislativo deveriam formalizar uma reivindicação ao Ibama colocando a necessidade dessa diminuição.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, afirmou que a ANA já recebeu o pedido para a redução da vazão em Sobradinho e, no máximo em uma semana, a agência divulgará nota técnica sobre o assunto. Vicente disse que, resguardado o uso prioritário da água para abastecimento humano, a ANA se manifestará pela redução da vazão.

O diretor da ANA explicou que existem limitações de uso do reservatório de Três Marias, em Minas Gerais, em trecho anterior do rio, para regular a vazão. Vicente explicou que a redução da vazão de Sobradinho será feita de forma gradual e deve se iniciar até o início de dezembro.

Vicente Andreu destacou a importância de outros atores e dos estados se manifestarem sobre o assunto. Para ele, o tema deve ser visto de forma integrada e órgãos como a Chesf não podem ser criminalizados em relação às decisões que tiveram que ser tomadas.
- Os estados não podem ser, em um processo como esse, meramente agentes passivos. Eles têm que entender que a reserva de água é fundamental para os estados – disse.

Nilo Coelho

Ao redor do lago de Sobradinho operam muitos dos distritos irrigados implantados pela Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), o maior deles o perímetro Nilo Coelho, que estava sob ameaça de ficar sem água já em meados de dezembro.

No perímetro Nilo Coelho, a situação era mais crítica porque a captação para esse projeto, na sua concepção original, só permite a retirada de água do volume útil da barragem. Por isso, a Codevasf já vinha executando conjunto de obras para garantir captação da chamada reserva morta, já que o volume mínimo útil seria atingido em meados de dezembro.

O diretor da Codevasf, Luis Napoleão, afirmou que as obras ficarão prontas ainda no mês de novembro. Segundo ele, existem 67 equipamentos e 145 pessoas trabalhando na obra 18 horas por dia.
- Toda a Codevasf, sem exceção, está vivenciando isso diariamente. Quero, através dessa audiência, tranquilizar a sociedade. O compromisso assumido pelo governo federal, através do Ministério da Integração, está sendo conduzido com muito comprometimento, critério e exigência.  – disse.

Luis lembrou que o desafio é grande, mas ressaltou que a população deve confiar em todos os órgãos envolvidos no processo de minimizar colapso hídrico no Vale do São Francisco. Segundo ele, todas as entidades envolvidas estão trabalhando 24 horas por dia para evitar uma situação extrema de não ter água para produção agrícola ou para o consumo humano.

Revitalização

O senador Otto Alencar (PSD-BA) disse que o descaso com o Rio São Francisco é um crime contra o povo nordestino e contra o povo de Minas. O senador defendeu a necessidade da revitalização do rio com o desassoreamento em trechos de suas calhas e explicou que esse é o melhor momento para que o governo adote essa medida.

- O Rio São Francisco está marcado para morrer. O governo dorme com um paciente morrendo na fila. O governo não pode ter as vistas complacentes com uma situação dessa natureza – protestou.

O senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE) lamentou que vários projetos para minimizar o colapso hídrico no Vale do São Francisco tenham deixados de lado por falta de recursos. O senador afirmou que estão faltando lideranças e partidos para impulsionar o desenvolvimento de ações nesse sentido.

Informações/Agência Senado
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Postado por André Luiz

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