Jogadora faz desabafo sobre time na web: "fomos humilhadas e passamos fome"

O que era para ser a realização de um sonho acabou se transformando em pesadelo. Pelo menos para as jogadoras de uma equipe de futebol na cidade de São Carlos (SP). A responsável por tornar público o caso foi Erica Lira, atacante contratada pelo São Carlos Esporte Center, equipe que disputa competições regionais de futsal e futebol de campo. Nesta quarta-feira, a atleta divulgou em sua conta no Facebook um longo desabafo a respeito da situação.
Segundo ela, o grupo passou pelos "piores meses das nossas vidas", sem receber a ajuda de custo combinada com o clube. "Fomos humilhadas, passamos fome e todo constrangimento possível", diz Erica, que acusa o São Carlos Esporte Center de não fornecer nem mesmo café da manhã às jogadoras.
"Saímos das nossas cidades deixando faculdade, trabalho e família com um sonho a ser realizado, e estamos voltando com um pesadelo", relatou Erica, 22 anos, no Facebook. "Passamos dias sem treinar pela situação e por falta de material esportivo suficiente para termos um treino digno. Agradecemos também ao treinador pela compreensão e por toda proteção que nos deu durante toda essa situação", acrescentou.
Em entrevista ao site São Carlos Agora, a jogadora diz que as 12 atletas foram contratadas para jogar futebol e futsal, recebendo uma ajuda de custo mensal de até R$ 300, além de alimentação, mas afirmou que os compromissos não foram cumpridos. A jogadora, que chegou a São Carlos (SP) no fim de setembro, deixou a cidade no dia 13 de dezembro e voltou a Alagoas, onde mora sua família.
Também ao site, o presidente do clube, Reginaldo Penha, rebateu as informações divulgadas pela jogadora. Segundo Penha, as jogadoras tinham alimento na dispensa do alojamento e receberam a ajuda de custo.
"Estou com a prestação de contas na mão e vou apresentá-la amanhã (sexta-feira) na Prefeitura Municipal", disse o dirigente. "Na verdade, algumas ficaram sem receber, porque a Prefeitura não repassou a última parcela. Mas toda a situação iria ser regularizada", completou.
De acordo com a jogadora, o clube passa por situações parecidas "há mais de dez anos". Por isso, o grupo fez denúncias no Ministério Público, na Delegacia da Defesa da Mulher e na Defensoria Pública. "Não queremos que outras meninas passem o que a gente passou", afirma.
Segundo o Portal da Transparência da Prefeitura de São Carlos, o São Carlos Esportes Center assinou convênios para receber repasses financeiros pelo menos entre 2009 e 2015. O site não aponta convênios referentes a 2016.
A reportagem do UOL Esporte entrou em contato com as secretarias de Governo, Esporte e Comunicação da Prefeitura de São Carlos para apurar o atraso no repasse. Entretanto, não obteve respostas até a publicação deste texto.

Publicação da atleta em sua rede social
Neste ano de 2016 fui uma das 12 meninas convidadas para jogar na equipe São Carlos Esporte Center na cidade de São Carlos no estado de São Paulo, era um sonho de uma menina realizado, porém a realidade foi outra bem diferente. As meninas e eu tivemos os piores meses das nossas vidas. Fomos humilhadas, passamos fome e todo constrangimento possível.
Saímos das nossas cidades deixando faculdade, trabalho e família com um sonho a ser realizado, e estamos voltando com um pesadelo.
Gostaríamos de agradecer ao SRº Marcio da padaria La Barca, que forneceu pães todos os dias após ficarmos dias sem tomar café. Agradecer também aos irmãos da igreja Quadrangular Tangara, que através do treinador Marcelo que também foi vitima, conseguiu alimentos para nós.
Passamos dias sem treinar pela situação e por falta de material esportivo suficiente para termos um treino digno. Agradecemos também ao treinador pela compreensão e por toda proteção que nos deu durante toda essa situação.
Peço a vocês meus amigos que admiram o futebol feminino e meninas que sonham em jogar futebol ou que também foram vitimas que nos ajudem divulgando e compartilhando, pois descobrimos que ocorre a mais de 10 anos, foram muitos sonhos de meninas destruídos.
Então nos ajude para que outras meninas não sejam vitimas deste clube e desta pessoa desprezível e sem a menor compaixão.
Ajude-nos fazer justiça! Hellen Medeiros Fanny Ramos Jayane BarbosaMarcelo Rocha Ferreira Francielle Sodré Fepo Soares Gabriela Rizzo PitonJackeline Augusto Camila Medeiros Gabi Oliveira Beattriz Schalfer Ivaneide Raney

Fonte: esporte.uol.com.br


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Postado por George Silva

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