Carrapicho inicia projeto de educomunicação e ecoturismo no Vale do Salitre


A presença de jovens produzindo notícias nas comunidades do Vale do Salitre, interior de Juazeiro (BA), já é uma realidade desde 2015, quando foi lançado o Informativo Carrapicho. Em 2016, com o apoio da BrazilFoundation, a iniciativa foi premiada e transformou-se no Carrapicho Virtual, promovendo a divulgação de vídeos, fotos e textos no facebook.
Este ano, o grupo foi selecionado em mais um edital da BrazilFoundation com o projeto “Carrapicho: Educomunicação e ecoturismo com jovens do Vale do Salitre”. Dentre as ações do projeto estão oficinas de produção e edição de vídeos, turismo sustentável e divulgação na internet, tendo como público uma média de 15 jovens que integram o Carrapicho. O projeto prevê ainda a produção de cinco vídeos a partir de visitas a locais do Salitre vistos como potenciais pontos turísticos.
De acordo com a idealizadora do Carrapicho, a comunicadora Érica Daiane Costa, a intenção é fortalecer a formação dos/das adolescentes e jovens e começar a pensar na geração de renda como forma de garantir a permanência dos/das mesmos/as em suas comunidades. “Estamos apostando na educomunicação atrelada ao ecoturismo, ao turismo pedagógico, como forma de fortalecer o sentimento de pertencimento à região, aumentar a produção de conteúdos contextualizados e promover alternativas de rendas, sobretudo para as/os jovens”, diz Érica, que também é salitreira.
A primeira oficina do projeto aconteceu nos dias 05 e 06 deste mês na comunidade de Baraúna. Na ocasião o grupo conheceu a diversidade de formatos que podem ser adotados na produção audiovisual, bem como aprendeu algumas técnicas, a exemplo da construção de roteiros e produziu pequenos vídeos que ficam disponíveis na página Carrapicho Virtual, no facebook. Nos meses de junho e julho serão realizadas as demais atividades do projeto, que deve culminar em setembro com a realização da 1ª Mostra de Audiovisual do Vale do Salitre.
O projeto está sendo executado pela Agência Chocalho, com recursos da BrazilFoundation. Para Roseane Santos, de 15 anos, residente na comunidade de Alfavaca, esses apoios que o grupo vem tendo são essenciais para o crescimento do mesmo. A jovem, que teve o primeiro contato com a proposta do Carrapicho aos 12 anos, quando colaborou com a versão impressa, relata que o conhecimento construído no grupo tem sido utilizado também em outros espaços, a exemplo da escola, o que faz das/dos integrantes do Carrapicho jovens multiplicadores.
Reconhecimento
O grupo tem conquistado o apoio das famílias, das organizações sociais do Salitre e o reconhecimento das comunidades. A integrante do Grupo de Mulheres que produz derivados do tamarino na comunidade de Baraúna, Maria de Lourdes de Jesus, diz que as produções do Carrapicho tem contribuído muito com a divulgação de problemas que surgem nas comunidades, bem como do trabalho das mulheres, o qual tem base na economia solidária. Ela cita exemplos de matérias divulgadas no facebook as quais resultaram em ações como conserto de estradas e destaca também a cobertura de eventos como algo de grande importância feito pelo grupo nos últimos dois anos.
Além disso, instituições como ONG’s, Redes de Comunicação e entidades de apoio tem enxergado nessa experiência um grande potencial para formação cidadã e fortalecimento da comunicação popular e comunitária. O grupo tem recebido convites para cobrir pautas, bem como para apresentar a experiência em espaços de formação.
Com a visibilidade, jovens de diversas comunidades vem se integrando ao grupo, a exemplo de Arice Carine Ribeiro, 16 anos, da comunidade de Sobrado. Ela diz que sempre achou “muito interessante o Carrapicho Virtual porque é uma forma de divulgar o Salitre e nos trazer propostas, isso me motivou bastante”, diz a jovem que acredita que “juntos os jovens podem ir além” do que se costuma fazer individualmente.
Joston Luiz Oliveira, de 16 anos, da comunidade de Campo dos Cavalos também foi um dos jovens que se sentiu motivado a vivenciar a experiência do Carrapicho. Ele entrou no grupo há pouco mais de um ano e hoje afirma que só tem ganhado com as formações técnicas e políticas que participa. Além de melhorar sua prática de fotografia e produção de vídeos ele diz que  “discute muito os temas sociais, o respeito, trabalho em equipe também, isso ajuda muito no meu desempenho”.

ASCOM Agência Chocalho
"Fazendo zuada no sertão!"
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Postado por George Silva

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