Ato Semiárido Pela Democracia reafirma necessidade de eleger governo popular


Às margens do Rio São Francisco, mais de 200 caravanas dos estados do Semiárido brasileiro se reuniram na tarde deste sábado (20) em Petrolina (PE) e se deslocaram para Juazeiro (BA). A efervescência política nesse período de 2º turno de disputa eleitoral no país motivou a realização de um Ato Político e Cultural com o tema “Semiárido pela Democracia”.
Proposto por diversos Movimentos Populares de todo o Semiárido, o evento foi um momento místico, onde bandeiras, camisas, adesivos, poesias e músicas deram o tom do movimento que teve o objetivo de dizer ao Brasil e ao mundo que os povos do Semiárido defendem a garantia da liberdade, da cidadania e do conjunto de direitos assegurados pela Democracia brasileira.
Nós estamos aqui hoje para dizer que somos um povo inteligente, que o Semiárido tem lutadores e lutadoras”, enfatizou Naidison Quintella, Coordenador nacional da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), ao animar a multidão para dar início à caminhada. “Nós queremos dizer ao Brasil que nós queremos um Brasil com terra para todo mundo, com água para todo mundo, com escolas (...). Não queremos e não vamos votar em quem defende a tortura, a violência”, externou Naidison.
O Ato demonstrou a força dos Movimentos Populares que ao longo da história do Brasil vem lutando pela garantia de direitos básicos como acesso à terra, água, moradia, alimentação, educação, comunicação, por exemplo. Além disso, foi reforçada também a luta contra o autoritarismo e posturas fascistas representadas pelo candidato a presidente da extrema direita, Jair Bolsonaro. “Um fascismo às vezes declarado, às vezes não, mas agora bem claro. E eu acho isso absurdo, parece que a história não nos ensinou nada, nem aqui nem na Itália”, alertou o italiano Nicola Andrian que sobre a Ponte Presidente Dutra cantou O Bella Ciao, considerada como canção da resistência italiana contra o fascismo.
A representante da Via Campesina, Rafaela Alves, chamou atenção para a diversidade do Brasil, onde jovens, mulheres, sem terra, LGBT, negros, indígenas, entre outras identidades constituem “o povo que constrói a riqueza desse país”. Rafaela foi uma dentre as/os demais militantes que se posicionaram contra o candidato Jair Bolsonaro, acusado de racista e homofóbico, e incentivador de outras formas de discriminação. “Como vamos construir um país sem essa diversidade ser respeitada?”, questionou a representante da Via Campesina. Rafaela ainda afirmou: “A gente não quer mais ver a fome, a miséria, a ditadura militar”.
Firme até o final do Ato, por volta das 20h, o agricultor José da Silva Campos, do interior de Uauá (BA), disse que foi importante participar do ato e votar para garantir “que o país mude com dignidade” , destacando que se Fernando Haddad não for eleito haverá muito “sofrimento pra toda população e nós não deseja isso nós deseja o que é bom”, opinou. Com a mesma preocupação, a psicóloga Maria José Aroucha, lembrou que os diversos segmentos no Brasil conquistaram direitos ao longo desses anos de Democracia, a exemplo dos trabalhadores/as, das mulheres, nordestinos/as, que “não tinham voz, que não tinham expressão (...) e hoje essas pessoas são vistas como gente. Então não podemos perder esse momento da Democracia”, defendeu.
Ao final do Ato Político e Cultural, o representante da ASA, Alexandre Pires, leu uma Carta do candidato Fernando Haddad enviada em resposta a um Documento enviado pela Articulação, no qual defende a Convivência com o Semiárido. Dentre os compromissos firmados pelo presidenciável com o conjunto de instituições que compõem a ASA, um deles foi a ampliação do Programa Um Milhão de Cisternas.  
Em todo o Brasil, milhares de pessoas também foram às ruas para defender a candidatura de Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, considerando, sobretudo, a possibilidade de eleger um governo que aceite ser questionado em outros atos como esses, ao invés de eleger um governo que pode dar origem a uma nova ditadura no país.

Texto e fotos: Comunicação ASA
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Postado por George Silva

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