Jovens do Sertão do São Francisco e Piemonte Norte do Itapicuru produzem spots para rádio durante oficina em Sento-Sé

Nos jovens vamos apostar / tendo eles como referência / para nossa comunidade melhorar...” recitou ao microfone o jovem André Cajuí, da comunidade Curral Novo, Jacaré, Distrito de Massaroca, Juazeiro - BA, durante a gravação de um spot. André foi um dos mais de vinte jovens que participaram da Formação Técnica em Rádio, um dos módulos de comunicação do Projeto Bem Diverso. O encontro reuniu na comunidade Fartura, em Sento Sé, jovens dos territórios Sertão do São Francisco e Piemonte Norte do Itapicuru.
O tempo bonito, com nuvens carregadas e chuva nos três dias em que o grupo esteve na comunidade, possivelmente inspirou duas equipes que optaram pela produção de spots sobre a captação de água de chuva. A jovem Ilma Gonçalves, de Ouricuri, em Uauá, conta que sua equipe pautou a captação da água de chuva para o consumo humano por defender que a preocupação com a água deve ser entendida como algo coletivo. “Todo mundo tem que cuidar da água. Água é tudo! Água é vida!”, exclama a participante da oficina.
Vindo da comunidade Mandacaru, em Canudos, Alexsandro Souza disse ter ficado satisfeito com as produções e o envolvimento do grupo. “Eu achei interessante... Todo mundo participou... Fizemos um cordel e colocamos no spot que fala sobre a juventude e comunicação”, revela orgulhoso o jovem.
Érica Daiane Costa, colaboradora do Irpaa e uma das facilitadoras da oficina, conta que uma das estratégias para a promover a integração das/dos participantes foi compor os grupos para a produção de spots com jovens de municípios diferentes. “Eles consideraram que foi muito positivo e que ajudou inclusive no processo de produção”, destaca a facilitadora.
Diferente dos spots, a produção da reportagem escrita foi complexa, de acordo com relatos das/dos participantes. Ilma Gonçalves confessa que seu grupo teve dificuldades, mas achou o processo produtivo interessante. De acordo com Érica Daiane Costa a dificuldade apontada por Ilma reflete “um problema das gerações atuais, que cada vez leem menos e acaba tendo mais dificuldade de escrever. A gente percebe que precisam de um tempo maior para trabalhar a produção de texto”, opina a facilitadora, destacando o bom resultado do trabalho, apesar das limitações apresentadas durante a atividade.
Em Fartura, o grupo deu continuidade a produção escrita de onze reportagens (iniciadas na oficina anterior, realizada em Ouricuri, Uauá) e criou cinco spots, que poderão ser utilizados por rádios comunitárias da região e/ou compartilhados via aplicativos e redes sociais. Érica espera que as/os jovens continuem produzindo materiais de comunicação cotidianamente. “Nosso propósito maior é que essa juventude continue fazendo isso no dia a dia, produzindo informações a partir da realidade delas/es”, almeja a colaboradora do Irpaa.
Elas/Eles conseguiram avançar e ter pautas muito interessantes”, conta Érica. A colaboradora do Irpaa revela que a escolha do tema (tanto do spot, quanto da reportagem), a construção do texto e tipo de spot foram definidos pelas/os participantes do encontro, que colocaram em prática as técnicas apresentadas durante a oficina.
Envolvimento da comunidade

Para recepcionar bem as/os visitantes, uma parte do grupo teve uma responsabilidade um pouco maior. Além de participar da oficina, dois jovens que moram na comunidade Fartura e um morador da comunidade Sítio ficaram com a atribuição de organizar a estrutura da formação (hospedagem, alimentação, local para realização da oficina etc.). “É uma experiência nova, porque aqui nunca recebemos esse tanto de jovens. É uma coisa nova para nossa comunidade. Foi bom!”, avalia Edson Ribeiro, um dos jovens anfitriões.
Daniela Alves Rodrigues é moradora da comunidade Sítio e Agente comunitária Rural (ACR) na região, ela acompanhou a oficina em Fartura e acredita que os conhecimentos compartilhados durante a formação podem contribuir na divulgação dos trabalhos realizados nas comunidades, a exemplo do beneficiamento de frutas que acontece em Fartura. Segundo a ACR “os jovens estão sempre buscando os meios de comunicação” e isso pode ser uma forma interessante para a troca de informações entre as comunidades.
A presença de mais de vinte jovens visitantes na comunidade, despertou em parte da juventude de Fartura a vontade de participar do projeto. “A gente ouviu jovens perguntando como fazer para entrar no projeto. Isso não é possível agora, mas desperta aquela/e jovem, adolescente e até criança a futuramente estar se engajando em outros projetos dessa natureza”, explica Érica Daiane Costa.
Érica e Edson acreditam que a realização de oficinas nas comunidades possibilita às famílias conhecer um pouco mais do projeto. A hospedagem na casa das famílias, o almoço coletivo, as culturais são exemplos de momentos que aproximam a comunidade e os visitantes.
O Projeto Bem Diverso é uma parceria entre o Irpaa, PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa
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Postado por George Silva

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