Uauá: Jovem comunicadores da cidade debatem em Salvador estratégias de enfrentamento do genocídio da juventude negra


A turma de Jovens Comunicadores “Mandacaruzeiros”, do município de Uauá-BA, teve a oportunidade de conhecer e refletir os desafios e realidades vividas por jovens negros e negras da periferia de Salvador durante um Intercâmbio que aconteceu na capital baiana entre os dias 16 e 19 de dezembro.
O evento foi mais uma atividade do Projeto Jovens Comunicadores, cujas ações são voltadas para a juventude rural de municípios baianos da região de Juazeiro, Senhor do Bonfim e Jacobina e fazem parte do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão da Secretaria de Desenvolvimento Rural do Estado Bahia (SDR). Os recursos do projeto são frutos de Acordo de Empréstimo contraído pelo Governo do Estado junto ao Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).
O intercâmbio aconteceu na sede da Cipó Comunicação Interativa, Organização Não Governamental que promove projetos de comunicação, especialmente com jovens da periferia de Salvador.  Um dos momentos de muito debate e reflexão do encontro aconteceu  durante  o seminário sobre a realidade vivida pela juventude negra, que apresentou os índices de violência e homicídios cometidos contra jovens negros e negras da periferia de Salvador.
A turma participou ainda de uma oficina de cartazes criativos onde os jovens expressaram temas voltados a reflexão sobre a desigualdade social, religiosa e, principalmente racial, sofridas pela juventude negra, especialmente na capital baiana. Outro momento marcante nesse intercâmbio foi a visita a uma exposição em multimídia promovida pela Caixa Econômica Federal, denominada Axé. Essa exposição mostrou  a história dos blocos afros  e muito da riqueza cultural de negros e negras da Bahia.
O jovem Álify da Silva Assis, da comunidade de Caldeirão da Serra, interior de Uauá, disse o quanto foi importante conhecer de perto as comunidades remanescentes de negros/as escravizados e a história dos antepassados e tanta diversidade  cultural. “O intercâmbio me proporcionou uma vivência de cultura e realidade totalmente diferente do que estou acostumado”, disse Álify, que também observou que essas comunidades tem um povo que expressa alegria e felicidade apesar de viverem uma realidade tão difícil.
“Foi  de importância muito única nas nossas vidas porque nem sempre temos a  oportunidade de conhecer nossa história, como a que foi mostrada no Pelourinho, dos negros escravizados e nossas origens de verdade, que é muito importante para nossas vidas”. Essas foram  palavras do jovem Rafael Ribeiro, membro do grupo mandacauzeiro de Uauá, que também afirma ter adquirido conhecimentos mais aprofundado sobre a história do Brasil e  da Bahia. 
De acordo com a Coordenadora do Projeto Jovens Comunicadores, Emília Mazzei, todo o conjunto de experiências vivenciadas nesse tipo de intercâmbio cumpre o objetivo do projeto. Esse tipo de iniciativa possibilita "tá  problematizando as coisas e ampliando seus horizontes em outra perspectiva pra juventude a partir do reconhecimento da própria realidade e a do outro, o que gera o fortalecimento da identidade de cada um”,  externou Emília ao observar que  apesar de diferentes realidades vividas entre jovens da periferia da capital e jovens das comunidades rurais do Semiárido,  eles  têm muito o que aprender uns com outros, e essa aprendizagem, segundo a coordenadora, é proporcionada por esse tipo de intercâmbio. 

 Fotos: Jovens Comunicadores 
Agência Chocalho
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Postado por George Silva

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