Comunidade de Fundo de Pasto estuda o que é Saneamento Básico


Não só nas cidades, mas também nas comunidades rurais, os serviços de Saneamento Básico são precários. Essa carência afeta a qualidade de vida da população, como acontece na comunidade Frade, no interior de Curaçá, Bahia. O abastecimento de água local é feito em sua maioria pelo carro-pipa, onde a família paga em média R$ 200 por mês, não existe coleta de resíduos sólidos, o lixo é queimado, enterrado ou fica solto na Caatinga, o esgotamento sanitário é inexistente ou em alguns casos há o uso da fossa.
Esse diagnóstico foi realizado a partir do debate da equipe do Irpaa junto aos agricultores e agricultoras da comunidade de Frade, durante o primeiro módulo de formação Saneamento Básico, realizada no Centro de Formação Dom José Rodrigues, em Juazeiro, entre os dias 06 e 08 deste mês. O processo formativo é um das ações do projeto executado pelo Irpaa, com apoio da Cáritas Alemã, com objetivo de trabalhar a proposta da Convivência com o Semiárido e Adaptação às Mudanças Climáticas.
A agente comunitária e moradora da comunidade de Frade, Viviane Paiva, revela que na comunidade o saneamento é “um problema, isso é precário, nós não temos coleta, então, diante a falta de opção nós enterramos nosso lixo, queimamos, alguns que não tem conscientização joga a céu aberto, aí vem inseto, muriçocas, o animal vem e morre”. Em relação a água, Viviane explica que a comunidade só tem água de qualidade quando é coletada da chuva e armazenada na cisterna. “A água do pipa [carro -pipa]tem muito cloro, é muita criança com dor de barriga, idoso, até adultos vomitando, é terrível”, relata a agente comunitária.
A discussão sobre Saneamento Básico foi pautada a partir da premissa do saneamento como um direito humano e enfatizando a necessidade da elaboração de políticas públicas adequadas para o saneamento rural. Para Aldenisse de Souza, colaboradora do Irpaa e uma das facilitadoras da formação, mesmo o saneamento básico sendo reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) como um direito humano, e o Brasil assegurar esse direito na Constituição brasileira, a população “talvez por tanta ausência de direitos, não entendeu ainda que isso [saneamento] é um direito necessário para qualidade de vida”.
Diante dessa realidade, Aldenisse acredita que o primeiro passo é sensibilizar o povo que o saneamento é um direito indispensável para garantir o bem-estar da população, garantir a promoção da saúde pública e que ele deve ser oferecido de forma universal. A ausência dessa compreensão “acaba distanciando a comunidade de lutar por esse direito”, pontua Souza.
Além do debate teórico, o grupo conheceu tecnologias sustentáveis para reaproveitamento das águas cinzas, aquela proveniente de chuveiros e pias de banheiro, e água do esgoto total, oriundos dos vasos sanitários. Tecnologias de reúso de água como: reator anaeróbio seguido de lagoas de polimento – reator UASB, destinado para tratamento tanto de água cinza como água escura, ou seja, da descarga de sanitário; a Bacia de Evapotranspiração usada no trato de águas escuras; Sistema Bioágua Familiar destinado ao tratamento das águas cinzas. A proposta que essa água seja utilizada nas atividades agrícolas, como plantio de forragem, fruteiras, quintais produtivos.
Luis Almeida, colaborador do Irpaa e técnico do projeto, acredita que “no cenário de mudanças climáticas, no contexto do Semiárido, a gente tem a certeza que preservar e cuidar dos bens naturais, a Caatinga, água, são fundamentais para a gente conseguir ter resiliência nos momentos secos e nesse contexto de mudanças climáticas que já se apresenta”. Nesse processo de preservação, é preciso ter o solo, o rio e pessoas saudáveis e isso pelo acesso ao saneamento básico de qualidade.
Convivência com o Semiárido e Adaptação às Mudanças Climáticas
Na comunidade de Frade, 35 famílias estão participando do projeto, que tem como ação o processo formativo e a implementação de estrutura de uso didático e pedagógico-experimental de tecnologias de reúso de água e de captação e manejo de água de chuva, implementação de quintais produtivos e de Unidades de Recuperação de Áreas Degradadas, Urad’s, além de acompanhamento técnico.
“A Urad também entra na questão da preservação ou recuperação de áreas que foram degradadas (…) então a gente identifica uma área na comunidade para fazer essa recuperação, fazendo o isolamento de 20 hectares, e esses 20 hectares também podem ser utilizados como SAF’s, Sistemas Agroflorestais, ou seja, a gente introduzir plantas também de interesse econômico”, explica Luis Almeida. Ele ainda destaca que nas Urad’s umas das ações é introduzir abelhas, através da atividade de apicultura e meliponicultura, para contribuir na polinização das plantas e na biodiversidade da Caatinga.
Texto e foto: Irpaa.
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Postado por George Silva

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