Comunidades do Território rural Caatinga Produtiva discutem sobre Caderneta Agroecológica

Comunidades do Território  rural Caatinga Produtiva discutem sobre Caderneta AgroecológicaA variedade de alimentos produzidos nos quintais de mulheres agricultoras muitas vezes não é quantificado, por exemplo, não se registra o que é consumido pela família, vendido ou trocado. Muitas das vezes, às famílias não levam em consideração que sua produção no quintal da casa ou na roça, tem um valor que não é monetário, mas que determina a qualidade de vida e saúde de todos/as. Com o intuito de debater sobre a importância de anotar tudo que é produzido e consumido pela família e/ou outros consumidores, foi realizada na manhã do dia 24 de julho de 2019, uma reunião com mulheres do Território rural Caatinga Produtiva, no município de Juazeiro- BA, atendido pelo Projeto Pró-Semiárido. A atividade aconteceu na comunidade Fonte Viva.
Realizado pelo Irpaa, com recursos oriundos do Acordo de Empréstimo entre o Governo da Bahia e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola – Fida, a atividade reuniu cerca de 20 mulheres de quatro comunidades que fazem parte desse território rural de atuação do Projeto. Nessa reunião, as mulheres conheceram a Caderneta Agroecológica, instrumento metodológico do Pró- Semiárido afim de motivar as mulheres a sistematizar e contabilizar diariamente a sua produção agropecuária, identificando o valor (monetário e não monetário) dos alimentos. “A caderneta vai dar visibilidade ao trabalho em torno de casa que a mulher gerencia, que geralmente não é dado muito valor ou considerado de forma secundário, e contribuir para ela perder o ato de dizer que não produz e não faz nada”, argumenta Elisabete Siqueira, Assessora de Gênero do Pró-Semiárido.
“Muito do que é produzido pelas mulheres, nos quintais, é destinado ao consumo da família. Essa produção fortalece a segurança alimentar e a mulher deixa de adquirir [os produtos] nos mercados externos...A caderneta é um instrumento que vem fortalecer ereconhecer essa participação das mulheres.”, esclarece Aline Nunes, colaboradora do Irpaa na gestão do Pró-Semiárido. Ela argumenta também a importância do uso desse instrumento não ser apenas na dimensão econômica, mas olhar também para o fortalecimento das “relações sociais dentro das comunidades”, frisou.
A expectativa do projeto com uso dessa Caderneta é “ter números para que possam servir como base para defender políticas específicas para este público, fortalecendo especialmente os quintas agroecológicos, que é um espaço de autonomia feminina na maioria das comunidades”, projetou Aline. Outra perspectiva é conhecer a dinâmica organizacional das mulheres, fortalecer a sua autonomia produtiva e financeira, identificar valor comercial de plantas, além de mapear o acesso a mercados destas mulheres. “Então, é um processo pedagógico e um instrumento vivo de relações sociais”, defende Beth.
Para Maria José Alves, presidente da Associação dos/as pequenos/as Produtores/as Rurais Força da Terra Fonte Viva, em Juazeiro, “essa caderneta vem para somar a produção da mulheres, mas que não elas não têm a real noção do tamanho do trabalho que desenvolvem. Acho que a gente só ganha”. “Não só a gente, mas as pessoas da família terem uma noção do que a gente trabalha, o que a gente produz. A gente tem ovos, verduras, em casa sem agrotóxico. Impacta nos gastos e na saúde”, argumenta a agricultora e comerciante, Leonice Mota, da comunidade da Lagoa do Bastião, no município.
A caderneta

A Caderneta Agroecológica é um instrumento utilizado no Pró-Semiárido nos 27 território de atuação do projeto. A caderneta é um instrumento criado pelo Centro de Tecnologias Alternativas da Zona da Mata – CTA e do Movimento de Mulheres. O Irpaa estará realizando reuniões como estas nas suas áreas de atuação do projeto, nos municípios de Sento Sé, Sobradinho, Juazeiro, Remanso e Campo Formoso.



Texto e foto: Comunicação Irpaa
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