Exposição apresenta trabalho de artistas juazeirense ao tempo em que presta homenagem

Exposição apresenta trabalho de artistas juazeirense ao tempo em que presta homenagem
A possibilidade de ter o traço refinado do artista juazeirense Wellington Monteclaro em cartilhas voltadas para a Convivência com o Semiárido, foi algo que levou o Irpaa a ser um dos apoiadores/as da exposição Três Traços, aberta na noite de ontem (10), no Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro (BA). A instituição comemora o fato de contar com ilustrações do artista em seus materiais paradidáticos elaborados nos anos 2000 e lembra que Wellington dizia que para ele foi também uma oportunidade de ter um novo olhar sobre a região.
A partir de uma iniciativa do grupo cultural Indivíduo Coletivo, o público pode visitar a exposição aberta até 10 de novembro e assim conferir diversas composições do artista – que faleceu em 2015 – as quais foram guardadas por sua mãe Dalva Lima. Junto ao trabalho de Wellington, somam-se telas de Alinne França e Luis Carlos, que dedicam-se ao cubismo e impressionismo, respectivamente. Assim como Wellington, que insistiu em trabalhar com arte ao longo da sua vida, Alinne diz que “vale a pena investir na arte, vale a pena fazer o que você gosta”, considerando o reconhecimento como um elemento essencial para a/o artista.
Releituras de obras como Abaporu, de Tarsila do Amaral, é uma das telas expostas por Alinne, que se diz defensora dos aspectos da regionalidade nordestina e baiana. Já o artista Luis Carlos busca retratar pessoas e expressões faciais, chamando atenção do/da expectador/a para a fidelidade nos detalhes das composições. As obras serão comercializadas, porém só serão entregues após o término da exposição.
Durante a abertura da exposição ao público, a curadora Iramar Cavalcante falou da importância de valorizar a arte local, reconhecendo os potenciais de artistas do município. “Às vezes a gente se arrisca a valorizar muito o que vem de fora, não que não tenha valor, tem (…) mas não custa que a gente dê valor também ao que a gente tem aqui... e esse nosso esforço pra que a ‘prata da casa’ seja valorizada não é só agora e nem vai ficar só por aqui. Mas ainda é um desafio”, externa Iramar.
Na oportunidade, o presidente do Irpaa, Haroldo Schistek, fez referência ao/a expositor/a presentes, mas destacou o trabalho de Wellington, fazendo menção, principalmente, a sua contribuição para dar vida à Cartilha Terra pra Viver, produzida pelo Irpaa em 2010, e que conta a história do Brasil a partir do olhar de uma criança indígena, personagem principal da história contada em dois volumes. Haroldo disse que os desenhos contidos na cartilha hoje já passaram pelas mãos de muitas pessoas que se atraem pelo conjunto da história e ilustrações feitas com muito cuidado pelo artista, que também era ator de teatro, bailarino, professor, dentre outras atividades que exercia.
“Me sinto feliz e realizada”, disse a genitora Dalva Lima, explicando que o desejo do filho era de que o trabalho dele não se perdesse após sua partida. Em novembro, Juazeiro sediará o Festival de Teatro Wellington Monteclaro, ocasião em que será lançado também o livro Canção de Ninar Nego D’água, publicado a partir do empenho de amigos/as e familiares do artista. O valor arrecadado com as obras do artista vendidas durante a exposição será revertido para ampliar a produção de exemplares do referido livro.
A exposição Três Traços conta com apoio do Irpaa, Prefeitura de Juazeiro, Centro de Cultura João Gilberto, além de parceiros/as e comércio local. O público pode prestigiar as obras todos os dias das 8h às 22h, com entrada franca.

Texto e fotos: Comunicação Irpaa
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