Profissionais do HRJ tiveram contato com paciente de Petrolina que foi a óbito por covid-19, sem equipamentos de proteção


Nesta segunda-feira (4), um homem de 27 anos, encaminhado pela Unidade de Pronto Atendimento e Atenção Especializada (UPAE) de Petrolina para o Hospital Regional de Juazeiro, no norte da Bahia, morreu vítima da covid 19. Este foi o primeiro óbito registrado no município pernambucano pelo coronavírus.
Sebastião Pereira da Cruz foi transferido no domingo (3) para o HRJ com sintomas de leucocitose e anemia falciforme, segundo relatório de encaminhamento da Central de Regulação interestadual, documento ao qual o PNB teve acesso. Durante o internamento no hospital baiano ele apresentou insuficiência respiratória, foi testado para covid-19 e o exame deu positivo. O paciente recebeu cuidados médicos, chegou a ser intubado, mas não resistiu.
Após a morte do jovem, uma fonte do PNB, ligada à área de saúde, entrou em contato com nossa redação para denunciar que os profissionais do Hospital Regional de Juazeiro que atenderam o paciente, não seguiram o protocolo de paramentação. Diversos profissionais, entre maqueiros, técnicos, enfermeiros e também os médicos que tiveram contato com o paciente, não estavam devidamente paramentados, ou seja, não usavam os equipamentos de proteção obrigatórios, como avental com manga longa e punho, impermeável e descartável, luva de procedimento descartável, máscara N95 ou PFF2 e óculos de proteção ou Visor facial.
Segundo a fonte, a direção do Hospital Regional disponibiliza os equipamentos de proteção somente para os profissionais de saúde que vão lidar com casos suspeitos da covid 19.
“E é aí que mora o problema. Quem vê cara não vê o Coronavírus e aqui dão entrada dezenas de pacientes todos os dias. Neste período de pandemia, como saber quem está contaminado ou não está? Foi essa a situação do paciente de Petrolina que morreu. Ele chegou encaminhado pela UPA com outras enfermidades crônicas e somente aqui foi testado e deu positivo. O Regional é referência para o Coronavírus e os profissionais deveriam estar devidamente protegidos”, relatou a fonte que preferiu não ser identificada.
Ainda de acordo com a fonte, durante mais de 24 horas, os profissionais tiveram contato direto com o paciente, que até então não era suspeito da covid 19.
“Duas médicas tiveram contato com ele, inclusive uma delas chegou a intubá-lo, procedimento que necessita de uma maior proximidade com o paciente. Após saber do resultado do exame, os profissionais ficaram bastante temerosos. A médica que intubou, inclusive, já entrou na quarentena”, contou.
Bastante assustada e preocupada com a segurança dos profissionais, a fonte implorou por providências.
“Estamos totalmente expostos. Trabalhamos com muito medo, vulneráveis. É um medo contante de contaminarmos nossos familiares. Estamos na linha de frente e precisamos de atenção especial, precisamos de proteção, respeito e valorização. Como trabalhar em um hospital referência para a covid-19 sem os equipamentos? Assim como este paciente de Petrolina que não chegou como suspeito de coronavírus, outros podem dá entrada na mesma situação. Imploramos que as autoridades sanitárias, a direção do hospital e o Ministério Público se sensibilizem e adotem providências”, finalizou.
Até hoje, de acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria de Saúde do Bahia, 215 profissionais de saúde, que estão na linha de frente de combate ao novo coronavírus, foram diagnosticados com a covid-19 no estado.
Até o último dia 29 de abril, quando Juazeiro registrava 16 casos confirmados, seis eram de profissionais de saúde. Segundo as informações apuradas pelo PNB, um número considerável de profissionais de saúde estão  entre os casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus.

FONTE: site Preto no Branco
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